GNL - CONTOS E ENCANTOS

Blog pra quem gosta de contos!

Como prometido aqui está a melhor redação da turma do 8º ano do C.E.M.N.A:

Férias

   Férias é algo tão maravilhoso que poderia ser considerada uma das sete maravilhas do mundo, mas só quando se sabe aproveitar, que não foi o meu caso.
   Quando falamos a palavra férias a primeira coisa que pensamos é viagem, praia, cinema, diversão com os amigos, compras e festas.
   Mas as minhas férias não foram assim. O adjetivo correto para as minhas férias é "tédio", isso mesmo, tédio! A única coisa que eu fiz foi dormir, comer e passear mo computador. A única coisa que fiz de bom foi ler (adoro ler livros). Estou lendo o livro "A cabana', é bom demais.
   Pena que eu nã me diverti muito, mas agora é tarde pra lamentar, elas já acabaram.

                                                                                           Arielly Cristina.

O poeta e a poesia - Fran Sousa

Coração de poeta é uma fonte
Onde brota o amor e a saudade
Se não ama não tem felicidade
E o amor para o verso é a ponte
Que atravessa a linha do horizonte
Numa noite cruel de nostalgia
Cada verso se torna uma alegria
Sua dor ele cura declamando
Passa a brisa da noite derramando
Sentimento, saudade e poesia.

Fran Sousa

Crônicas de uma vida sem luz

Crônicas de uma vida sem luz
Capítulo 2 – O Brasil me espera
A lua brilhava no céu estrelado de Madri, capital espanhola. Patrícia caminhava pelas ruas, as horas já estavam adiantadas. Não havia mais ninguém ali, tirando alguns bêbados que estavam deitados nas calçadas. A jovem que havia tentado tirar a vida estava ali caminhando naquelas ruas escuras. Ela tinha uma expressão lívida e suave, seus traços ainda eram de uma jovem de pouca idade, apenas seus olhos haviam mudado, eles tinham uma cor diferente e davam medo a quem os fitasse a noite.
O ano era o de 1845. Patrícia havia mudado para a Espanha havia alguns anos. Ela continuava sua caminhada, então de repente foi abordada por um homem de mais ou menos uns 30 anos:
- Hola chica! A donde va esta hora de la noche?
Esse homem segurava uma pequena e afiada faca na mão direita. Aquela era uma situação onde qualquer mulher se sentiria ameaçada, mas aquela mulher que estava naquele lugar era muito diferente. Aquele pobre homem não teve nem chance gritar, pois teve sua cabeça arrancada em apenas alguns segundos. Uma expressão horrível e assustadora havia tomado conta da face daquela jovem vampira. Com a mão direita ela puxou o corpo do homem até um beco; com a mão esquerda ela segurava a cabeça que respingava sangue escarlate. Ali no beco ela bebeu até a última gota de sangue que havia naquele corpo.
Na manhã seguinte o corpo foi encontrado, o crime chocou a todos e houve uma crise de espanto mútuo na cidade, pois aquele não havia sido o primeiro caso de uma morte cujo todo o sangue da vítima havia sumido. O assunto estampava todos os jornais locais. Chamavam o assassino de Hijo de Judas. Mas ninguém fazia ideia de que o assassino na verdade era uma jovem que aparentava ser a mais doce criatura.
Aquela paz que Patrícia sentia estava quase no fim. Em uma noite quando ela estava sugando o sangue de um rapaz, é surpreendida por várias pessoas. Eles carregavam tochas e estacas nas mãos. Eram todos homens. Todos ficaram perplexos ao ver ali a figura de uma jovem em vez de um homem. Os homens recuaram um pouco quando viram aquele rosto assustador. A vampira saiu pulando sobre suas cabeças até que sumiu na escuridão da noite.
Logo após a sua descoberta Patrícia tinha seu retrato falado em todos os jornais da cidade. Ali não dava mais para ela ficar. Então resolveu voltar para seu país, o Brasil. Ela pensava consigo:
- Tenho assuntos pendentes por lá, vai ser bom voltar. O Brasil me espera!
O gosto de uma lágrima


Era uma vez uma jovem chamada Mariana e que não sabia chorar. Nunca em seus olhos havia rolado uma lágrima, nem mesmo quando era criança. Quando brincava com outras crianças e as vezes brigavam, ela nunca demonstrava fraqueza e muito menos arrependimento. Assim cresceu Mariana, garota de poucos amigos, bela e formosa, mas essas características eram ofuscadas pelo seu olhar seco e sombrio.
Um de seus poucos amigos, George, sempre a acompanhava onde fosse. Ele era um dos poucos a agüentar o temperamento de Mariana, ou melhor acho que era o único.
Todos na pequena cidade de Luxemburgo não entendiam o porque daquele comportamento. Quando ela passava logo diziam ao cochichos: - Não entendo como uma pessoa criada pelo Marcos e a Lúcia pode ter esse comportamento! Só pode ser gênio do diabo !
Muitas vezes Mariana escutara esses comentários, mas sempre suportava tudo, como prova: seu silêncio. O silêncio e a sequidão invadiam aquela face branca muitas vezes sem expressão alguma.
George, ao contrario de sua amiga, era uma pessoa bastante expressiva e preocupava-se muito com ela. Ninguém conseguia entender como aquelas duas criaturas de caracteres tão distintos podiam suportar um ao outro, e o mais estranho como Mariana, sendo como era, já não havia jogado aquela amizade fora e se afastado como dantes tinha feito com muitos.
O dia em que a vida de Mariana daria uma reviravolta estava próximo.
Certo dia, na escola, chegou um novo aluno o Henrique, vindo do sul do país. Garoto simpático e bastante atencioso, essas características foram as únicas que apareceram até agora.
Algo inédito aconteceu: os olhos de Mariana brilharam ao ver aquele rapaz, e um sorriso quis se formar em sua face. Ela mesma se assustou com aquela atitude, mas não conseguia resistir ao sorriso carismático de Henrique.
George logo percebeu que algo havia mudado nela, mas não quis puxar assunto e deixou passar. Na semana seguinte algo incrível acontece. A aula já havia começado e todos estavam na sala, menos Mariana, George já estava preocupado, quando de repente alguém surge a porta. Era Mariana, todos os olhares se voltam para ela e um forte e animado “Bom Dia”! sai da boca dela. Todos continuam olhando pra ela que caminha ondulante até seu lugar, mas não era só a atitude de Mariana que havia mudado. Suas vestes pretas e de cores mórbidas deram lugar a um lindo azul celeste que combina com seus olhos lindos.
Todos se surpreendem com aquela nova pessoa que acabara de surgir ali na frente de todos. Como uma garota fria, irredutível e seca havia dado espaço para uma garota vívida, terna e vistosa? Era o que todos da cidade comentavam agora.
Diante de toda essa mudança o George foi sondá-la para saber o motivo de tão repentina mudança. Então ela resolveu abrir-se para seu amigo que sempre esteve ao seu lado.
- Eu nunca pensei que algo assim aconteceria na minha vida!
- O que?
- O Henrique!
- Você está apaixonada por ele, não é?
- Sim, eu o amo.
Então ele confirmou o que já pensava.
- Então foi por ele toda essa mudança?
- Sim!
Enquanto falavam o semblante dela era pura felicidade e lividez.
Dois meses se passam depois dessa mudança brusca que mudou a vida de Mariana. Esses dois meses George havia passado em uma clinica, pois estava cirurgiado. Quando ele voltou muitas coisas haviam mudado, e pra sua surpresa maior Mariana estava namorando com Henrique.
Na cidade não havia outro comentário: - Que casal perfeito – Quando passeavam pela praça central arrancavam suspiros de todos que ali estavam. Mas uma coisa que os fofoqueiros sempre se perguntavam: - Nunca ninguém os viu se beijando, será que é namoro mesmo? –
Isso era verdade, Mariana não havia ainda dado seu primeiro beijo de amor em Henrique, por medo? Não sei! Mas esse dia chegou. Os dois estavam a beira de um lago, sentados em uma pedra, quando ele olhou nos seus olhos e começou a acariciar a face dela que era lívida e branca. Então as duas faces brancas e belas foram de encontro uma da outra, se podia ouvir ao fundo uma linda melodia vindo da cidade. Enfim seus lábios se encontraram e um lindo beijo aconteceu com o pôr-do-sol.
Agora era que a felicidade dela estava completa e também era agora a hora em que ela menos pensava em chorar. Um amor pode mudar uma vida e a quebra de uma ilusão pode destruí-la.
A felicidade de Mariana estava com seus dias contados, algo terrível viria abalar aquele amor que fazia seu coração bater mais rápido.
Era chegado o dia de seu aniversário, data nunca comemorada antes, e ela resolveu dá uma festa em sua casa. Convidou grande parte da cidade.
Chegou o tão esperado dia. Mariana estava esplendorosa, recebia os convidados e os presentes quando Henrique chegou com uma caixinha preta no bolso e se pondo de joelhos, abiu-a. Eis que dentro estava um lindo anel de compromisso, então foi feito e aceitado o pedido e os dois selaram o compromisso com um lindo e terno beijo. Antes do fim desse beijo ouviram uma voz vinda do palco era Vanessa, colega de turma dos dois, tomou o microfone do cantor e começou a falar:
- Esse noivado não pode acontecer!
Todos os olhares se fitam nela.
- Eu estou grávida dele! Do Henrique!!
Quando Vanessa disse essas palavras Mariana perdeu o chão. Ele tentava acalmá-la tentando se explicar, mas ela gritava desesperada. Não tinha o que explicar, era tudo verdade. Antes deles começarem a namorar, o Henrique já havia iniciado um outro relacionamento com Vanessa e ninguém desconfiava.
Houve um grande tumulto na festa, as pessoas ficaram horrorizadas com aquela história – Jamais pensei que um garoto com o esse pudesse fazer algo desse tipo – Disse uma senhora da cidade.
Não há sinal de lágrimas nos olhos dela, mas sim ódio e revolta. Esse ódio a leva a pegar uma faca que está em cima de uma das mesas e a enfiá-la no peito de Henrique. Ele cai sangrando no chão. Todos correm em direção a ele para socorrê-lo, ela aproveita e sai correndo. Chega até o logo onde havia derramado e dado todo o teu amor a Henrique na noite anterior.
Ela senta-se naquela mesma pedra e observa o reflexo da lua cheia na água, então em seu olho se forma uma lagrima e que escorre pelo seu rosto até sua boca. Daí ela pode sentir o gosto salgado de uma lágrima.
George, que a havia visto correr, saiu atrás dela, mas quando ele chega encontra apenas o corpo de Mariana boiando na água fria do lago. Ele não conteve as lágrimas nem os gritos, que ecoaram naquela noite triste.



Geildo N. Lúcio
UEPB.

Sete Corações

Sete corações


Era inverno e chovia muito quando a condessa Alicia vinha encontrar seu noivo visconde de Edgaria. A noite era extremamente escura com pouca visibilidade e o cocheiro mau conseguia enxergar a estrada. De repente um animal, não se sabe ao certo que animal era, atravessa a estrada no instante que a carruagem passa por um precipício, então quando o cocheiro tentou desviar-se do estranho animal a carruagem despenca no precipício. Ninguém sobreviveu. No dia seguinte a noticia chega a corte e chega também aos ouvidos do visconde que fica desesperado ao saber que sua amada e linda noiva havia morrido.
Uma tristeza imensurável invadiu o visconde de Edgaria que não se conformava com partida de sua amada. Seu velho pai tentava reanimá-lo oferecendo tudo o quanto podia: mulheres, dinheiros e viagens. Mas nada o fazia emergir daquele mar de dor. Com um tempo começou a se embriagar todos os dias e perambulava noite a dentro pelas ruas da corte. Em uma dessas perambulações pelas ruas ele é abordado por um velho envolto em um lençol marrom amarrotado e muito velho. Não se podia ver o rosto do velho e o visconde como estava muito ébrio mau conseguia sustentar-se nas pernas. E sem ver quem era o velho desmaiou, quando voltou aos seus sentidos estava em uma cama rodeado de velas ainda era noite, acho que madrugada.
Ele tenta levantar-se mas ainda está tonto por causa da bebida então torna a deitar-se. Nesse tempo o velho chega, o que o abordara na rua, com um copo de chá e entrega-o ao visconde que com a vista ainda embaçada recebe o copo e bebi o chá. Passado algum tempo após o chá o visconde de Edgaria recupera todos os seus sentidos por completos e procura situar suas idéias. Não sabendo onde estava ele finalmente levanta-se e quando sai fica face a face com o velho então agora se pode ver o rosto dele. É um rosto muito queimado pelo sol, sobrancelhas grossas e brancas ele também quase não tinha cabelos. Depois de visto o rosto do velho o mesmo fala com voz rouca: - Vosmecê está bem?
- Sim estou melhor. Afinal quem tu és e onde eu estou? E o velho sentando-se em uma cadeira na varanda da cabana e mandando o sentar também, disse: - Eu não podia deixar vosmecê jogado ao chão, pois como pode um visconde como tu jogado nas ruas sujas da corte? – Como sabes quem sou? – Ora, eu sei de muitas coisas, sei também que perdestes vossa noiva num trágico acidente.
Nesta hora o visconde vira sua face tentando esconder sua tristeza e diz com palavras embargadas: - Mas isso todos já sabem, e tu ainda não disse quem eras.
O velho olhava atento para um grande carvalho ao lado de um lago bem em frente onde estavam e depois de alguns instantes virou o rosto para o visconde que estava a espera de uma resposta e com um olhar extremamente macabro falou: - Eu sei como trazer sua noiva de volta a vida! – E um vento muito forte começou a balançar o carvalho e a agitar a água do lago.
A primeira reação do visconde foi de total desprezo - Vosmecê não tem vergonha de caçoar dos sentimentos de um homem que perdeu sua única razão de viver?! – Não foi essa minha intenção, o que falo é pura verdade – O velho levanta-se e pega na mão direita do visconde e o conduz até embaixo do carvalho enorme, chegando lá ele dá ao visconde uma espécie de chá muito amargo. Depois que ambos tomam o chá sentam- se embaixo do carvalho é ai que o vento sopra mais forte do que já estava soprando e o visconde começa a ouvir uma voz bastante longe, voz essa que vai se aproximando. Então ele reconhece a voz, era o mesmo timbre de voz de sua amada noiva Alicia. Ele entra em êxtase e começa a procurar sua amada, mas nada vê. Então fica desesperado por não ver Alicia e começa a balançar o velho perguntando por ela, ele nada responde, então o visconde se prostra diante do grande carvalho é aí que o velho levanta-se e coloca sua mão enrugada sobre o ombro dele e diz: - Calma! Vou contar tudo a vosmecê – E o levando de volta a varanda da cabana começa a dizer o que aconteceu – O que a vossa noiva disse? – Como o que ela disse? Vosmecê estava lá e escutou! – Disse o visconde levantando o tom da voz – Não meu filho eu não escutei o que ela disse, mas me responda o que foi – Ela me dizia que queria voltar para nos casarmos, ela implorava!
O velho começou a dizer o que deveria ser feito para que Alicia voltasse. Para isso ocorrer o visconde deveria trazer para ele sete corações de sete virgens. O visconde reagiu com asco, dizendo que aquilo era loucura, mas o velho tentava persuadi-lo dizendo: - Eu já lhe dei provas o suficiente que vou trazer sua noiva de volta, vou lhe dar um tempo. Agora vá para casa e reflita.
Quando o visconde chegou em casa já era dia, ele mau conseguia pensar só o que lhe vinha na mente era a voz de sua amada clamando por voltar. Dois dias se passaram e ele na mesma lástima. No terceiro dia ele decidiu procurar o velho e foi até aquela cabana, chegando lá ele já o esperava – Eu sabia que viria, aqui está o punhal com que vosmecê irá arrancar os corações – Disse o velho apontando para um punhal de ouro, totalmente de ouro, que reluzia em cima de uma mesa. Sem dizer uma só palavra o visconde pega o punhal e vai saindo quando velho o faz parar – Eu quero os corações ao final de sete dias – O visconde apenas balança a cabeça positivamente e sai.
Já é noite quando o visconde sai a procura de corações. Ele pensou em levar corações de animais, mas logo desistiu. A voz de Alicia continuava ecoando em sua mente e aquilo o dava forças para continuar com aquele pensamento.
De repente ele pára próximo a mansão de D. Firmino e vê que sua jovem filha esta ao portão sozinha. Ele se aproxima e a cumprimenta. Seus globos oculares se movimentam rapidamente para os lados temendo que alguém viesse, pois a rua estava deserta, e o surpreendesse, ele suava e tremia até que criou coragem e agarrou a pobre moça que mau sabia o que lhe estava por acontecer. O Visconde arrastou-a até um beco escuro, a amordaçou e lá extraiu seu coração com a maior frieza possível. O coração sangrava e palpitava em sua mão.
O crime chocou a cidade, todos ficaram temerosos. A milícia da corte começara a investigar aquele frio assassinato. Na noite seguinte o Visconde faz mais uma vitima, agora a filha do padeiro. E assim ele continuou, todas as noites fazia uma vitima. Faltava apenas um coração para completar os sete. Na cidade não se via mais nenhuma donzela, muitos dos pais já haviam mandado suas filhas para outras cidades, pois temiam por elas. O Visconde de Edgaria se viu em um beco sem saída, pois seu prazo estava no final.
Não encontrando nenhuma vitima teve que procurar em casa. Sua irmã Mirela dormia, quando ele entra seu quarto as escuras iluminado apenas pelo brilho da lua cheia. Aquele mesmo vento que ele sentira em baixo do grande carvalho o arrepiava a espinha e balançava as cortinas do quarto. Então em um ato rápido ele insere o punhal no peito de sua irmã. Com o coração de sua irmã na mão ele se sente aliviado e logo sai em busca da cabana do velho. A noite estava terrivelmente fria e escura. Ele caminhava em paços largos quase correndo.
Chegou a cabana do velho ofegante, e colocou o saco com os corações das donzelas em cima de uma velha mesa de madeira. O velho sorrindo , um sorriso macabro, o elogia e o leva mais uma vez até em baixo do carvalho. E se inicia um ritual, o vento sopra mais rápido ao som das palavras balbuciadas pelo velho, mas é ai que a milícia chega até a casa do velho e surpreende os dois, em um ímpeto o Visconde corre em direção a mata e lá se esconde. E escuta o capitão da milícia falar com o velho que ainda está em uma espécie de transe – Até que enfim o encontramos seu velho louco, ele fugiu do manicômio a alguns meses, usou umas ervas para enganar os vigilantes e fugiu.
O visconde ouvindo aquela historia se sente enganado e começa a chorar sentido agora não só a morte de sua noiva mais também a de sete donzelas. Então ele some na escuridão daquela noite


Geildo N.Lúcio
UEPB

A Donzela de Gelo 3ª parte

D.Diego logo se interessou e continuaram a conversa, combinaram que o primeiro a passar noite com ela seria ele, pois ele nunca havia corrompido algo tão puro.

Após a conversa saiu e tomou o rumo em direção ao mar onde ficou até o nascer do novo sol. Durante o dia ficou preocupado, pois as horas não caminhavam, mas com o nascer da lua cheia partiu para o cabaré. Chegando lá a festa já havia começado, ele então sentou-se em uma das mesas da frente e esperou. Algumas horas passaram e nada de sua Donzela chegar. Então de repente a música parou e houve silêncio em todo salão, a cortesã subiu ao pequeno palco e anunciou que haveria um leilão de uma donzela.

Ele ficou sem entender nada, então teve início o leilão, ainda tentou arrematá-la, mas logo sua oferta foi coberta. No final a moça foi arrematada por um fidalgo da corte, um homem velho e grotesco, mas pra surpresa de todos quando a cortesã trouxe-a ele logo desistiu:

- Eu não vou pagar pra passar a noite com uma defunta, se eu quisesse passaria em um cemitério.

Risos e gargalhadas rodaram o salão, a moça tinha uma aparência anêmica, os olhos fundos e muito magra. Mas D.Diego não se importava e decidiu ficar com a coitada pagando menos da metade do que o fidalgo tinha oferecido. A cortesã não viu outra alternativa.

Então ele pegou em sua mão que estava tão fria quanto aquela noite, e subiram as escadas. Ele perguntou seu nome, mas ela se quer olhava pra ele, parecia que estava indo para o abate. Seu coração batia mais rápido impulsionado pelo medo, ele podia sentir seus batimentos através do toque de suas mãos. Ela então não agüentou e despencou escada a baixo, D.Diego não conseguiu segurá-la.

Todo salão parou diante do fato, ele correu e prostrou-se de joelhos diante dela, nos olhos da moça podia se ver a luz deixá-los e em seus olhos o princípio de uma lágrima, rapidamente formou-se um círculo em volta deles. Ele a tomou-a em seus braços e correu em direção a porta, mas não o deixaram sair, tiraram-na de seus braços, pois não havia mais nada a fazer, porém ele queria tirá-la a todo custo.

Depois de tudo ele viu que não iria levá-la. No dia seguinte aconteceu o enterro, mas foi à noite onde o mais estranho aconteceu.

A meia-noite, ele saiu de sua casa e perambulou pelas ruas da corte sem saber o que fazer, até que parou em frente a um cemitério. Abriu os portões e saiu caminhando pelas sepulturas, o perfume das coroas de rosas o deixava mais ébrio, então parou em frente ao túmulo da donzela, na lápide estava escrito seu nome: Melissa Campari. D.Diego pegou um pé-de-cabra que estava ali perto e violou o túmulo e em seguida o caixão, e lá estava ela com o rosto coberto com um véu, tão branca e fria quanto a neve. Pegou-a em seus braços. Seu corpo já exalava um forte odor que pra ele era perfume, deitou-a sobre uma sepultura, tirou lentamente seu véu, e foi beijando aqueles lábios mórbidos e a acariciar aquele corpo de carnes já tão duras, mas o calor do seu corpo a reanimava e assim continuou noite a dentro.

A lua cheia estava mais cheia, e a névoa também mais densa e a escuridão no auge de sua negritude.

Com o ato consumado, D.Diego sentiu-se livre daquele desejo doente que sentira por aquela donzela fria como o gelo. Vestiu-se e vestiu-a, colocou-a no sepulcro e saiu. Atrás de uma lápide estava o coveiro que havia observado tudo, mas diante daquele ato descomunal não teve coragem de reagir.




A Donzela de Gelo 2ª parte

_ Meu caro D. Diego, como foi a noite lá em cima? Espero que vosmecê tenha apreciado a mercadoria!
Ele apenas limitou-se a responder:
_ Igual a todas as outras - Pôs o chapéu na cabeça e já estava na varanda então a cortesã Diana quis continuar a conversa - Amanhã chegará uma nova mercadoria - E pondo a mão no ombro dele sussurou em seu ouvido: Ela é uma virgem!