GNL - CONTOS E ENCANTOS

Blog pra quem gosta de contos!

A Donzela de Gelo 3ª parte

D.Diego logo se interessou e continuaram a conversa, combinaram que o primeiro a passar noite com ela seria ele, pois ele nunca havia corrompido algo tão puro.

Após a conversa saiu e tomou o rumo em direção ao mar onde ficou até o nascer do novo sol. Durante o dia ficou preocupado, pois as horas não caminhavam, mas com o nascer da lua cheia partiu para o cabaré. Chegando lá a festa já havia começado, ele então sentou-se em uma das mesas da frente e esperou. Algumas horas passaram e nada de sua Donzela chegar. Então de repente a música parou e houve silêncio em todo salão, a cortesã subiu ao pequeno palco e anunciou que haveria um leilão de uma donzela.

Ele ficou sem entender nada, então teve início o leilão, ainda tentou arrematá-la, mas logo sua oferta foi coberta. No final a moça foi arrematada por um fidalgo da corte, um homem velho e grotesco, mas pra surpresa de todos quando a cortesã trouxe-a ele logo desistiu:

- Eu não vou pagar pra passar a noite com uma defunta, se eu quisesse passaria em um cemitério.

Risos e gargalhadas rodaram o salão, a moça tinha uma aparência anêmica, os olhos fundos e muito magra. Mas D.Diego não se importava e decidiu ficar com a coitada pagando menos da metade do que o fidalgo tinha oferecido. A cortesã não viu outra alternativa.

Então ele pegou em sua mão que estava tão fria quanto aquela noite, e subiram as escadas. Ele perguntou seu nome, mas ela se quer olhava pra ele, parecia que estava indo para o abate. Seu coração batia mais rápido impulsionado pelo medo, ele podia sentir seus batimentos através do toque de suas mãos. Ela então não agüentou e despencou escada a baixo, D.Diego não conseguiu segurá-la.

Todo salão parou diante do fato, ele correu e prostrou-se de joelhos diante dela, nos olhos da moça podia se ver a luz deixá-los e em seus olhos o princípio de uma lágrima, rapidamente formou-se um círculo em volta deles. Ele a tomou-a em seus braços e correu em direção a porta, mas não o deixaram sair, tiraram-na de seus braços, pois não havia mais nada a fazer, porém ele queria tirá-la a todo custo.

Depois de tudo ele viu que não iria levá-la. No dia seguinte aconteceu o enterro, mas foi à noite onde o mais estranho aconteceu.

A meia-noite, ele saiu de sua casa e perambulou pelas ruas da corte sem saber o que fazer, até que parou em frente a um cemitério. Abriu os portões e saiu caminhando pelas sepulturas, o perfume das coroas de rosas o deixava mais ébrio, então parou em frente ao túmulo da donzela, na lápide estava escrito seu nome: Melissa Campari. D.Diego pegou um pé-de-cabra que estava ali perto e violou o túmulo e em seguida o caixão, e lá estava ela com o rosto coberto com um véu, tão branca e fria quanto a neve. Pegou-a em seus braços. Seu corpo já exalava um forte odor que pra ele era perfume, deitou-a sobre uma sepultura, tirou lentamente seu véu, e foi beijando aqueles lábios mórbidos e a acariciar aquele corpo de carnes já tão duras, mas o calor do seu corpo a reanimava e assim continuou noite a dentro.

A lua cheia estava mais cheia, e a névoa também mais densa e a escuridão no auge de sua negritude.

Com o ato consumado, D.Diego sentiu-se livre daquele desejo doente que sentira por aquela donzela fria como o gelo. Vestiu-se e vestiu-a, colocou-a no sepulcro e saiu. Atrás de uma lápide estava o coveiro que havia observado tudo, mas diante daquele ato descomunal não teve coragem de reagir.




1 comentários:

Esse é O fim!!oqe acharam?

 

Postar um comentário